Carta à Gazeta – esclarecimento – set 2005

Carta à Gazeta – esclarecimento – set 2005
Anúncios

MÉDICOS ESPÍRITAS NAS CALDAS DA RAINHA

MÉDICOS ESPÍRITAS NAS CALDAS DA RAINHA
O Centro de Cultura Espírita (CCE) de Caldas da Rainha fez 10 anos de exigência, em Janeiro de 2013. Durante este mês tem sempre convidados especiais. Nas 2 últimas semanas estiveram dois médicos espíritas, um de Beja e outro de Águeda. Confira connosco o que se passou.

 

Depois de no dia 4 de Janeiro ter sido passado o filme “E a Vida Continua”, que já leva milhões de espectadores no Brasil, com actores conhecidos das telenovelas, como por exemplo Lima Duarte, entre outros, no dia 11 de Janeiro foi a vez da psiquiatra Gláucia Lima Bonet ter apresentado um tema muito actual “Suicídio versus Depressão à luz da Doutrina Espírita”, tema este que encheu por completo o salão do CCE e num ambiente alegre e descontraído fez-se uma tertúlia de mais de 1H30, onde a distinta psiquiatra abordou de forma técnica as causas, estatísticas acerca do suicídio bem como da depressão e explanou com rara simplicidade e clareza os conceitos espíritas em torno da temática, explicando que com as evidências da imortalidade do Espírito não há razão para o suicídio que só leva a mais sofrimento àquele que o comete com consequências nefastas em vidas posteriores. Esta psiquiatra apresentou uma ideia arejada de Deus- Amor, à luz do Espiritismo, explicando que o conhecimento desta doutrina funciona como grande protecção contra tendências depressivas e / ou suicidas pois que o homem entende de onde veio, para onde vai, o que está a fazer na Terra, a causa das dissemelhanças e busca assim, com esse entendimento uma resignação activa, na certeza da imortalidade. Referiu ainda a necessidade do auto-amor, da auto-estima, de fazermos o bem pelo bem, da caridade, da alegria de servir e de ser útil ao próximo como caminhos de elevação espiritual e de satisfação pessoal, levando o ser humano a sentir-se mais realizado nesta sociedade que faz do ouro o seu Deus.

 
 

Médicos espíritas fizeram a ligação entre a ciência e a espiritualidade, falando de depressão, suicídio, e união conjugal à luz do espiritismo

 

No dia 18 de Janeiro foi a vez do médico Luténio Faria, de Águeda, abordar a temática “União conjugal à luz do espiritismo”, onde como uma apresentação bem-disposta, e profunda, conseguiu levar a mensagem no meio de algumas gargalhadas ao retractar situações do quotidiano, apresentando a união conjugal como um caminho de evolução espiritual em conjunto, onde não deve imperar o egoísmo dos dias de hoje, mas sim a tolerância mútua, o Amor que aceita o outro como ele é, a compreensão e a aceitação do outro com as suas características. Luténio Faria fez ainda uma viagem pelos vários tipos de situações familiares e deixou dicas preciosas para o êxito na vida a dois, seguindo-se depois da conferência animado debate que só terminou por ainda terem de retornar a Águeda apesar do tempo invernoso.

 

No dia 25 de Janeiro será a vez de Luís Vilhena, espírita de Castro Verde, actualmente residente em Setúbal, que nos trará a “Visão do Amor à luz da Doutrina Espírita”, encerrando assim este conjunto de conferências espíritas comemorativas do X aniversário do Centro de Cultura Espírita.

 

António Luís, um dos dirigentes do CCE referiu ainda as actividades em curso nesta associação sem fins lucrativos, como grupos de evangelização infanto-juvenil aos sábados à tarde (crianças e jovens), curso básico de espiritismo e de educação da mediunidade, igualmente aos sábados, apoio social com géneros alimentícios a 13 famílias da cidade, para além de apoio espiritual ao domicílio para doentes acamados e idosos com dificuldade de locomoção, para além das conferências semanais à 6ª feira, pelas 21H00, seguida do passe espírita e atendimento em privado a pessoas que o desejem, dentro do fundamento da doutrina espírita: “fora da caridade não há salvação”.

 

José Lucas

O meu filho vê espíritos

O meu filho vê espíritos

Joana tem 15 anos. Apareceu no Centro Espírita onde colaboro. Vinha nervosa, afinal era a 1ª vez que ia a um Centro Espírita e, nem o facto de ir com uma amiga mais velha a tranquilizava. Assistiu à palestra da noite, sentiu-se mais à vontade pois o ambiente era alegre, brincalhão embora sério e, tratavam-se os assuntos do quotidiano à luz da Doutrina Espírita (que não é mais uma seita nem mais uma religião). No fim da palestra foi ao passe espírita (tratamento fluídico com imposição das mãos) e sentiu-se melhor.

 

Posteriormente, quis falar connosco em privado. Expôs o seu assunto. Tinha visões já desde pequena, mas ultimamente essas visões têm sido mais recorrentes. Via Espíritos, isto é, pessoas que já tinham largado o corpo de carne pelo fenómeno natural da morte e que estão tão vivos quanto nós, só que noutra dimensão existencial. Queria saber como resolver o “problema”. O irmão, com quatro anos de idade, também vê os mesmos Espíritos, ao que a mãe retruca dizendo que é tudo mentira. Confusão total na cabeça do miúdo: por um lado vê uma realidade, por outro a mãe diz que não existe.

 

Lá explicámos à Joana que a percepção extra-sensorial (ou mediunidade) é apenas um 6º sentido que todos possuímos. Na maioria das pessoas, está adormecido. Noutras, esse sentido está a desabrochar e, em algumas pessoas esse 6º sentido está desenvolvido (os chamados médiuns). Explicámos que ter mediunidade é como ter visão, olfacto, tacto, audição e gosto. Fizemos um paralelismo: se porventura fosse cega de nascença e, aos 15 anos, de repente, começasse a ver no meio da rua, essa nova característica (visão) normal para quase todos nós, seria um problema pois não saberia quais as cores, como lidar com a luz do sol etc.

 

Diria que ver era um problema, enquanto que os demais, habituados a ver desde pequenos, diriam o oposto: “que não, que ver é óptimo e é muito fácil”.

 

Assim se passa com a mediunidade: quando começa a desabrochar, não sabemos lidar com ela, ficamos intrigados e por vezes com alguns contratempos. Mas, após a aprendizagem, o médium (pessoa que capta o mundo extra-físico) leva uma vida perfeitamente normal.

 

A solução passa por aprender a lidar com essa nova faculdade, e na nossa óptica não conhecemos melhor caminho do que começar a frequentar um Centro Espírita, integrar-se num grupo de estudo (Curso Básico de Espiritismo ou outros), ler e estudar os livros de Allan Kardec (o pesquisador dos factos espíritas), entre outros hábitos, como a leitura diária de um livro espírita, meditação e oração.

 

Joana ficou mais aliviada, sentia-se normal, afinal havia outras pessoas como ela, que tinham a mesma percepção. Foi um alívio: “Afinal não estou maluca…” .

 

A mediunidade (ou percepção extra-sensorial) é uma faculdade tão natural como ver ouvir, falar, e carece de ser orientada num Centro Espírita

Ficou de voltar e frequentar o Centro Espírita (que é uma escola do Espírito), aprender.

A moderna Psiquiatria já alerta os médicos para este facto, para que as pessoas que apareçam nos consultórios com visões, audição de vozes que mais ninguém houve, não sejam taxadas de loucas (como outrora), mas que isso pode reflectir um estado cultural (é a admissão antropológica da mediunidade por parte da ciência médica).

 

Allan Kardec, no livro “A Génese” referia as crianças da Nova Era (o prelúdio da transição do planeta Terra para um grau superior) que voltariam para dar um novo impulso evolutivo à Terra.

 

No Novo Testamento, em Actos, 2:17, podemos encontrar a referência de que no fim dos tempos (não significa o fim do mundo, mas sim o fim de um ciclo, uma fase de transição para melhor) “…E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos”.

 

A mediunidade (ou percepção extra-sensorial) é uma faculdade do ser humano que cada vez mais adentra a casa do rico, do pobre, do branco, do negro, do instruído e do pouco instruído, para que assim a espiritualidade se torne perceptível a toda a humanidade e, não seja apenas pertença de um grupo de iniciados, de um grupo de padres ou dirigentes.

 

O Centro Espírita continua a ser esse portal para o entendimento de uma nova realidade, que catapultará inevitavelmente o ser humano de um nível existencial egóico para uma dimensão existencial mais fraterna, compreensiva, tolerante, nesta fase de transição, para que um dia se instale na Terra o “reino de Deus”, isto é, que sejamos um mundo mais evoluído, onde não haja mais fome nem guerras e, onde todos se auxiliarão e amarão como irmãos universais.

espiritos

 

 

 

 

 

 

José Lucas